Agentes Conversacionais: uma nova fronteira de interação | NTT DATA

seg, 02 fevereiro 2026

Agentes Conversacionais: uma nova fronteira de interação

A nova era dos agentes conversacionais simplifica processos, interpreta intenções e redefine a forma como interagimos com sistemas digitais.

Durante anos, convivemos com interfaces desenhadas para máquinas: menus, botões, formulários. Uma espécie de ritual tecnológico que todos aprendemos a cumprir para conseguir que um sistema fizesse o que precisávamos. Mesmo as interfaces mais modernas nunca deixaram de exigir que as pessoas se adaptassem às suas próprias regras. 

Acontece que, finalmente, estamos no momento de inversão desta realidade. Os modelos de Conversational UI – ou de interação conversacional - representam essa viragem. Pela primeira vez, a tecnologia esforça-se para falar a nossa língua. Literalmente. E quando isso acontece, quando deixamos de “usar sistemas” para simplesmente conversar com eles, algo profundo muda na forma como trabalhamos, decidimos e nos relacionamos com o digital. 

Deixamos de navegar por funcionalidades e passamos a dizer, claramente, o que queremos

O que está a acontecer vai muito além de chatbots que respondem a perguntas. Estamos a entrar na era dos agentes conversacionais: entidades digitais capazes de compreender objetivos, manter contexto, coordenar-se com outros sistemas e atuar em nosso nome. 

Dito de outra forma: deixamos de navegar por funcionalidades e começamos a declarar intenções: “Quero perceber por que motivo os custos aumentaram no último trimestre”; “Acompanha este processo até estar concluído e alerta-me se houver riscos”; “Prepara um briefing completo para a reunião de amanhã.” 

O agente interpreta, decide, orquestra e executa. A complexidade que antes era visível desaparece. Tudo se torna mais simples e acessível. 

O digital liberta-se das suas amarras

Neste contexto nascem conceitos como a A2UI (Agent-to-User Interface). Deixa de haver uma interface estática; passa a existir uma camada dinâmica e adaptativa, através da qual os agentes comunicam com o utilizador em linguagem natural, colaboram entre si para resolver tarefas complexas e ligam, sem fricção, sistemas que antes vivam em silos. Em certa medida, é como se o digital se libertasse das suas próprias amarras de complexidade. 

Uma das ideias mais importantes e menos compreendidas é esta: os agentes conversacionais não substituem sistemas; tornam esses sistemas acessíveis. E isto muda tudo. Em vez de construir mais portais, apps ou fluxos, as organizações passam a expor capacidades. Os agentes lidam com a complexidade, os dados, os processos e as regras internas. O utilizador, por sua vez, lida apenas com a sua própria intenção, com o que precisa de fazer. 

Em sectores complexos como banca, energia, seguros ou setor público, onde a jornada de um cliente pode atravessar dez sistemas diferentes, isto não é apenas conveniente: é transformador. Imagine um cliente que diz: “Estou a mudar de casa. Tratem de tudo o que for necessário.” Na sequência, o agente liga contratos, verifica dados, coordena processos, identifica riscos e mantém o utilizador informado. A jornada passa, finalmente, a ser uma só. 

Contexto, controlo e confiança. Novas arquiteturas e modelos de governação 

Para esta visão funcionar à escala, três elementos tornam-se essenciais: contexto, controlo e confiança. Os agentes precisam de compreender o cenário em que atuam, têm de operar dentro de limites claros e auditáveis, e têm também de ser transparentes nas decisões que tomam,  especialmente, quando automatizam processos críticos. Isto implica novas abordagens de governação, novas arquiteturas e uma visão clara sobre o papel dos agentes na organização. Trata-se menos de tecnologia e mais de responsabilidade. 

Conversational UI: uma mudança de paradigma 

Tal como o touchscreen redefiniu toda a experiência móvel, a Conversational UI está a redesenhar a interação digital nas empresas. Para um executivo, a mudança fundamental não está no “chat”, mas na capacidade de transformar intenção em ação, ou seja, em converter interações em resultados com velocidade, coerência e escala. O interface passa a ser a própria conversa. Os agentes evoluem para executores. E as organizações afirmam-se assim pela simplicidade, rapidez e humanidade das suas interações.