Arquiteturas Modernas para um Mundo Agentic e suportado por IA | NTT DATA

sex, 09 janeiro 2026

Arquiteturas Modernas para um Mundo Agentic e suportado por IA 

Integração de IA redefine arquiteturas: elasticidade, rastreabilidade e adaptação são agora fatores essenciais.

Are you AI ready?

A crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) nas organizações está a expor limitações estruturais nas arquiteturas tecnológicas tradicionais. Muitos ambientes atualmente em produção foram concebidos para sistemas previsíveis, interdependentes e com baixa capacidade de adaptação. Estes pressupostos entram em conflito direto com os requisitos operacionais da IA. 

A IA não é apenas mais uma camada funcional. Introduz novos padrões de consumo de dados, dependências entre sistemas, necessidades acrescidas de elasticidade computacional e requisitos de controlo e rastreabilidade. Neste contexto, a arquitetura tecnológica deixa de ser um facilitador passivo e passa a ser um fator determinante para a viabilidade, escalabilidade e sustentabilidade das iniciativas de IA. 

Limitações das arquiteturas tradicionais na adoção de IA

As arquiteturas monolíticas ou fortemente interligadas, comuns em sistemas legados, apresentam fragilidades evidentes quando expostas a workloads de IA. Entre os principais desafios estão a dificuldade em escalar componentes de forma independente, a dependência excessiva de integrações síncronas, a baixa observabilidade sobre fluxos de dados e decisões, a fraca separação entre lógica de negócio, dados e modelos, e ciclos de mudança incompatíveis com a evolução contínua dos modelos. A integração de modelos de IA nestes contextos tende a resultar em soluções frágeis, difíceis de operar e com elevado custo de manutenção. O problema raramente está no modelo em si, mas na inadequação da arquitetura que o suporta. 

Arquitetura de dados como fundamento técnico

A IA exige acesso consistente a dados fiáveis, governados e disponíveis em tempo adequado. O desafio deixou de ser tecnológico ao nível do armazenamento e passou a ser arquitetural: como desacoplar produtores e consumidores de dados, garantindo qualidade e controlo? Padrões como Data Lakes (repositórios centrais de dados), Data Mesh (gestão de dados descentralizada) e plataformas híbridas permitem separar domínios de dados, suportar múltiplos casos de uso em paralelo e reduzir dependências entre sistemas. Sem esta base, os modelos tornam-se excessivamente dependentes de fluxos frágeis, limitando a escalabilidade e a evolução das soluções de IA. 

Cloud, edge e elasticidade computacional 

Os workloads de IA introduzem requisitos específicos ao nível da infraestrutura: paralelismo, elasticidade e proximidade aos dados. Arquiteturas híbridas — combinando cloud pública, cloud privada e edge computing — permitem responder a estes requisitos de forma equilibrada. Do ponto de vista arquitetural, esta abordagem possibilita escalar treino e inferência de forma independente, reduzir latência em cenários de tempo real e responder a requisitos de soberania e localização de dados. Para CIOs e CTOs, a decisão sobre onde e como a IA é executada condiciona diretamente os casos de uso que podem ser suportados. 

Governação, rastreabilidade e enquadramento regulatório 

A entrada em vigor do EU AI Act, prevista para agosto de 2026, formaliza exigências que têm impacto direto na arquitetura dos sistemas de IA, nomeadamente ao nível da rastreabilidade, controlo de versões, explicabilidade e monitorização contínua. Estes requisitos não são resolvidos ao nível do modelo, mas através de arquiteturas que incorporem modelos de governação e observabilidade ao longo de todo o ciclo de vida da IA. Sem estes mecanismos, a conformidade torna-se difícil de demonstrar e operar em ambientes de produção. 

Agentic AI e as suas implicações arquiteturais 

A Agentic AI introduz um novo modelo de conceção de sistemas, no qual a inteligência deixa de estar concentrada num único modelo e passa a ser distribuída por múltiplos agentes especializados. Estes agentes operam de forma autónoma, avaliando contexto e desencadeando ações com impacto direto nos sistemas de negócio. Este paradigma impõe requisitos arquiteturais claros: arquiteturas distribuídas, comunicação assíncrona, orientação a eventos, contratos explícitos entre componentes e mecanismos robustos de coordenação, supervisão e controlo do comportamento emergente. 

Observabilidade como requisito estrutural 

Num contexto de sistemas cada vez mais autónomos, a observabilidade deixa de ser uma preocupação operacional e passa a ser um requisito arquitetural. É necessário compreender não apenas o estado dos sistemas, mas também o comportamento dos modelos e agentes. Capacidades como logging estruturado, tracing distribuído, métricas de desempenho e auditoria das decisões são essenciais para operar, otimizar e governar sistemas Agentic em produção. Sem observabilidade, não é possível garantir controlo, previsibilidade ou confiança. 

Concluindo, a adoção de IA e, em particular, de sistemas Agentic, é fundamentalmente um desafio arquitetural. Os modelos podem ser substituídos; as arquiteturas não. As organizações que investirem em arquiteturas modernas, desacopladas, observáveis e governadas estarão preparadas para escalar IA de forma sustentável e controlada. 

Para os CIOs e CTOs, a questão central já não é que modelos adotar, mas sim que arquitetura é necessária para suportar sistemas inteligentes, autónomos e em evolução contínua.