Do papel do CTO à plataforma do futuro
O CTO está a deixar de ser apenas um gestor tecnológico para assumir um papel estratégico de alto nível. Esta mudança vai além do discurso: requer ações concretas que transformem a visão estratégica em resultados operacionais tangíveis.
Neste artigo, exploramos como esta evolução se traduz na convergência entre IT e OT, e como o CTO atua como arquiteto de uma plataforma tecnológica capaz de habilitar interoperabilidade, eficiência e inteligência ligada.
A era da integração inteligente
As organizações líderes já não separam o digital do operacional. Na nova economia hiperligada, a convergência entre IT e OT tornou-se o pilar da eficiência, resiliência e competitividade. Esta fusão entre tecnologia da informação (IT) e tecnologia operacional (OT) viabiliza plataformas unificadas que integram dados, processos e decisões em tempo real.
Não se trata apenas de controlar máquinas ou gerir dados, mas de construir arquiteturas inteligentes capazes de ligar pessoas, ativos e ecossistemas. A empresa moderna funciona como um organismo vivo, no qual cada componente aprende, se adapta e trabalha de forma autónoma.
Uma mudança promovida pelos negócios, não apenas pela tecnologia
A convergência IT/OT surge de uma necessidade estratégica, e não meramente técnica: manter a competitividade em mercados cada vez mais voláteis e exigentes. Entre os principais fatores estão:
- Eficiência sem aumento de custos: Automatizar e otimizar operações através de análise preditiva e inteligência artificial.
- Redução do tempo médio de reparo (MTTR): Digital twins e modelos preditivos antecipam falhas e minimizam interrupções.
- Interoperabilidade total: Em ecossistemas digitais, clientes e parceiros exigem sistemas que operem de forma integrada e contínua.
- Sustentabilidade e governança: Regulamentações e compromissos com metas ESG demandam rastreabilidade e responsabilidade digital.
Dos dados à inteligência ligada
O verdadeiro potencial da convergência IT/OT está na sua capacidade de transformar dados dispersos em inteligência ligada. Isto permite:
- Visibilidade unificada ao longo de toda a cadeia de valor.
- Tomada de decisão em tempo real, com base em dados operacionais e de negócios integrados.
- Processos adaptáveis, com produção, manutenção e logística ajustáveis de forma dinâmica.
Imagine uma planta industrial que ajusta a sua produção conforme a procura prevista, evitando desperdícios, reduzindo stock e melhorando o atendimento. Esta é a nova eficiência, um ciclo contínuo de aprendizagem operacional promovido por inteligência artificial.
Fatores-chave para uma implementação bem-sucedida
Implementar uma estratégia de convergência IT/OT não é um projeto exclusivamente técnico. Exige liderança, visão de negócio e uma base tecnológica robusta que funcione como pilar da transformação. Os principais fatores de sucesso baseiam-se em:
1. Visão consensual da alta gestão
O apoio do CEO e do comité executivo é essencial. A convergência IT/OT deve ser incorporada à estratégia corporativa, e não tratada como uma iniciativa isolada de TI ou de operações. Apenas com uma visão consensual é possível alinhar objetivos, investimentos e resultados.
2. Casos de uso claros e mensuráveis
O caminho para a convergência deve começar com casos de uso reais, com impacto tangível e comprovado — redução do MTTR, otimização da manutenção, eficiência energética ou rastreabilidade de processos. Estes primeiros resultados geram envolvimento interno e criam uma base sólida para justificar a expansão.
3. Governança e segurança integradas
É fundamental estabelecer uma governança unificada entre IT e OT, com funções, responsabilidades e métricas em comum. A cibersegurança deve estar presente desde o início do projeto, considerando normas industriais, privacidade e resiliência operacional.
4. Talento híbrido
As organizações bem-sucedidas neste modelo são aquelas que formam e atraem profissionais híbridos, capazes de compreender tanto operações industriais quanto arquitetura tecnológica. Este talento funciona como uma ponte natural entre o mundo operacional e o digital.
5. Plataforma tecnológica: o verdadeiro fator crítico
Ter visão, talento e casos de uso definidos é necessário, mas não é suficiente. O verdadeiro motor da convergência é a plataforma tecnológica que viabiliza a transformação.
Implementar uma plataforma tecnológica é um desafio estratégico
Uma plataforma tecnológica não é uma ferramenta única nem um produto pronto. Trata-se de um ecossistema complexo de software, hardware e serviços que precisam de ser integrados. O seu desenvolvimento envolve:
- Ligar sistemas corporativos de informação (IT) com sistemas operacionais (OT);
- Gerir dados heterogéneos, com formatos e significados diversos;
- Atender a normas e regulamentações rigorosas (cibersegurança, privacidade, setor industrial);
- Garantir escalabilidade e sustentabilidade financeira a médio e longo prazo.
O modelo tecnológico, operacional e financeiro
Para que a plataforma funcione, é preciso definir como ela vai ser governada e operacionalizada (funções, responsabilidades, processos, indicadores de sucesso) e, também, como vai ser financiada e evoluir (estratégia de investimento, custos recorrentes, retorno esperado). Este modelo tecnológico-operacional-financeiro assegura que a implementação não se limite a um projeto-piloto, mas que escale com valor sustentável.
Problemas reais que a plataforma resolve
- Interoperabilidade semântica: sistemas que “falam idiomas diferentes” e não partilham informações de forma eficaz;
- Soluções isoladas de nicho: ferramentas desconectadas que impedem visão holística;
- Sistemas legados: tecnologias críticas de difícil integração com soluções modernas;
- Conformidade regulatória: riscos legais e de segurança caso os requisitos não sejam contemplados desde o início.
Sem uma plataforma tecnológica personalizada, a convergência IT/OT não sai do papel. Esta infraestrutura é o que transforma uma apresentação inspiradora num projeto real, com impacto mensurável.
6. Escala progressiva
Uma implementação bem-sucedida requer uma estratégia de expansão progressiva: iniciar uma fase piloto, aprender, ajustar e escalar. Cada etapa deve consolidar aprendizagens e garantir sustentabilidade antes de avançar.
Rumo à inteligência ligada e distribuída
A evolução natural da convergência IT/OT aponta para um modelo de inteligência ligada, no qual os sistemas não informam apenas, mas também atuam com autonomia e coordenação. Veja alguns exemplos:
- Digital twins aplicados às organizações: Simulam cenários e otimizam decisões antes da execução;
- Operações autónomas: Plataformas que detetam e resolvem incidentes sem intervenção humana;
- Agentes inteligentes: Agentes de IA que colaboram entre áreas ou empresas para aumentar a eficiência coletiva;
- Ecossistemas interligados: cadeias de valor em que a partilha de dados se torna fonte de crescimento.
Da visão do CTO ao sistema operacional do futuro
Desde o primeiro artigo desta série até aqui, a evolução é evidente. O CTO não ocupa apenas uma função estratégica, mas deve transformar esta visão em arquiteturas de valor, plataformas interoperáveis e ecossistemas inteligentes. A convergência IT/OT não é um projeto pontual, e sim a manifestação operativa da transformação que o CTO deve liderar.
Ao adotar uma plataforma integrada com inteligência ligada, a empresa não otimiza apenas as suas operações, mas também constrói a sua vantagem competitiva para a próxima década.
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