NTT DATA alerta para mudança de paradigma nas ciberameaças: ataques mais persistentes, furtivos e estratégicos | NTT DATA

qua, 30 setembro 2026

NTT DATA alerta para mudança de paradigma nas ciberameaças: ataques mais persistentes, furtivos e estratégicos

A segunda edição de 2026 do Cyber Threat Intelligence Report evidencia ataques mais furtivos, maior influência geopolítica e a crescente profissionalização do cibercrime.

A NTT DATA, líder global em inteligência artificial, serviços de negócio e tecnologia, divulgou a mais recente edição do seu Cyber Threat Intelligence Report, referente ao primeiro semestre de 2026. O relatório revela que o panorama global das ciberameaças está a atravessar uma transformação estrutural. De acordo com as conclusões, os atacantes estão a privilegiar cada vez mais intrusões discretas e de longa duração, concebidas para maximizar o impacto económico, estratégico e reputacional. Em vez de procurarem causar perturbações imediatas, os atacantes estão a apostar na persistência, na capacidade de permanecerem indetetados e em manterem uma influência prolongada nos ambientes comprometidos.

O relatório destaca que o ciberespaço se tornou um domínio estratégico onde os conflitos económicos, políticos e de segurança convergem cada vez mais. As tensões geopolíticas, a fragmentação tecnológica e a alteração das alianças internacionais estão a ter um impacto crescente nas infraestruturas digitais, nas cadeias de abastecimento e nos setores críticos. Esta evolução torna mais difícil atribuir a autoria dos ataques, complica a cooperação internacional e aumenta a exposição ao risco por parte dos governos, das indústrias críticas e das organizações privadas. Paralelamente, o ciberespaço tornou-se um palco privilegiado para formas indiretas de confronto, permitindo exercer pressão e provocar disrupção sem escalar para um conflito militar aberto.

Esta tendência é ainda intensificada pela crescente adoção da inteligência artificial enquanto multiplicador estratégico de capacidades. A sua integração em operações de ciberespionagem, campanhas de desinformação e automação ofensiva reduz as barreiras à entrada, acelera os ciclos de ataque e aumenta o alcance das operações híbridas levadas a cabo tanto por agentes ligados a Estados como por organizações de cibercrime sofisticadas.

Entretanto, o ecossistema do cibercrime tem vindo a sofrer uma fragmentação significativa. O desmantelamento de grandes fóruns clandestinos e plataformas centralizadas não reduziu a atividade ilícita, mas redistribuiu-a por mercados especializados, corretores de acesso inicial e canais de comunicação mais privados, tornando cada vez mais difícil a monitorização das ameaças e a recolha antecipada de informação.

Ao mesmo tempo, os modelos de ransomware e de extorsão de dados atingiram um elevado nível de maturidade operacional. As campanhas combinam, cada vez mais, automação, roubo direcionado de informação sensível, pressão pública faseada e exploração do impacto reputacional. O relatório destaca também a utilização crescente de técnicas “silenciosas”, nomeadamente através do abuso de serviços legítimos de cloud e SaaS para garantir persistência e realizar movimentos laterais dentro das organizações, deixando o mínimo de vestígios possível.

Do ponto de vista setorial, os setores mais afetados durante o primeiro semestre do ano foram a Administração Pública e Governo (3.343 incidentes), Educação (1.140), Serviços Financeiros (957), Tecnologias de Informação (802) e Telecomunicações (614). No total, estima-se que o impacto económico global do cibercrime ascenda atualmente a cerca de 10,5 biliões de dólares por ano.

Embora os enquadramentos legais e regulamentares continuem a ser reforçados, que as operações internacionais das autoridades policiais estejam a tornar-se mais eficazes e que as organizações estejam progressivamente a melhorar as suas capacidades de defesa, o relatório conclui que os agentes maliciosos continuam a adaptar-se a um ritmo superior ao destes avanços. Esta realidade evidencia a persistência de um desfasamento entre o cumprimento regulamentar e uma verdadeira resiliência operacional.

“Estamos perante uma mudança de paradigma: os ciberataques já não visam apenas causar disrupção; são cada vez mais concebidos para influenciar decisões de longo prazo, processos de negócio e a orientação estratégica das organizações. Uma gestão eficaz do risco exige agora uma abordagem abrangente, centrada na deteção contextual, na resiliência e na antecipação estratégica de ameaças persistentes e altamente adaptáveis”, afirma María Pilar Torres Bruna, Head of Cybersecurity da NTT DATA Iberia, International Organisations, LATAM, and Consulting in Benelux and France.

À medida que as ciberameaças se tornam mais persistentes e sofisticadas, o relatório da NTT DATA sublinha a necessidade de ir além do mero cumprimento regulamentar. Antecipar riscos, compreender o contexto mais amplo em que estes surgem e posicionar a cibersegurança como uma função estratégica do negócio serão fatores essenciais para construir uma verdadeira resiliência digital, sustentável a longo prazo.


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