Os líderes do setor do retalho estão a reconstruir as bases para a adoção da IA em Cloud | NTT DATA

qui, 13 agosto 2026

Os líderes do setor do retalho estão a reconstruir as bases para a adoção da IA em Cloud

Os avanços graduais na IA geram resultados graduais, mas o verdadeiro valor depende de uma base sólida em Cloud.

As organizações dos setores do retalho e dos bens de consumo embalados (CPG) registaram progressos significativos na adoção da inteligência artificial. A tecnologia está a ser utilizada para aumentar a precisão das previsões da procura, personalizar a experiência do cliente e otimizar cadeias de abastecimento e operações industriais, através da redefinição de modelos operacionais e formas de trabalho.

Em teoria, o setor está plenamente comprometido com a IA. No entanto, continua a enfrentar um desafio estrutural.

Um estudo realizado para o relatório da NTT DATA Cloud-led innovation in the era of AI: The new rules for driving value with cloud demonstra que quase todas as organizações de retalho e CPG (98%) reconhecem que a IA aumentou a necessidade de investir em Cloud. A Cloud tornou-se a camada de execução do modelo operacional de IA, o ambiente onde os dados são integrados, as decisões são tomadas e as ações são desencadeadas em toda a organização.

Ainda assim, apesar do reconhecimento generalizado da importância destes investimentos, poucas organizações dispõem da base em Cloud necessária para escalar a IA de forma eficaz. Apenas 22% das organizações destes setores consideram estar num nível avançado de maturidade Cloud, tanto em adoção como em impacto, e apenas 49% se mostram satisfeitas com o seu progresso na inovação impulsionada pela Cloud.

Onde as estratégias de IA enfrentam dificuldades

A diferença entre ambição e capacidade continua a limitar o desenvolvimento das estratégias de IA no retalho e no setor dos bens de consumo embalados. Os casos de utilização atualmente em implementação representam progressos importantes. No entanto, quando permanecem isolados e não fazem parte de um sistema coordenado, os resultados ficam aquém das expectativas dos líderes de negócio.

A IA evoluiu de soluções focadas na execução de tarefas específicas para capacidades mais abrangentes e autónomas. Contudo, para concretizar todo o seu potencial, é necessário redefinir processos de ponta a ponta ao longo de toda a cadeia de valor, entre departamentos e até entre diferentes organizações.

O sucesso das operações de retalho e CPG depende de uma cadeia de valor totalmente orquestrada. Alterações na procura devem refletir-se imediatamente nas decisões de abastecimento. As limitações de fornecimento devem influenciar as estratégias promocionais e os processos de entrega. Da mesma forma, a execução operacional deve orientar a alocação do capital circulante.

A IA permite alcançar este nível de coordenação e ajudar as organizações a disponibilizar o produto certo, através do canal adequado, com a oferta adequada, no local certo e no momento certo.

No entanto, nada disto é possível sem uma base robusta em Cloud. Capacidades Cloud-native limitadas constituem uma barreira tão relevante para o sucesso da IA como a fragmentação dos dados ou as limitações das plataformas legadas de ERP e gestão da cadeia de abastecimento.

Existe também um desalinhamento entre intenção e investimento. Embora a procura por capacidades de IA continue a aumentar, os níveis de investimento em Cloud mantiveram-se relativamente estáveis em quase nove em cada dez organizações. Uma proporção semelhante reconhece que os atuais níveis de investimento colocam em risco as iniciativas Cloud-native, de IA e de modernização tecnológica.

O verdadeiro valor está na orquestração

Não surpreende que as organizações destes setores identifiquem a modernização como um dos maiores obstáculos à inovação. No entanto, é precisamente aqui que a relação entre Cloud e IA deve ser repensada.

Com demasiada frequência, a Cloud continua a ser encarada apenas como um exercício de modernização tecnológica, centrado na migração de sistemas, atualização de infraestruturas ou implementação de novas ferramentas. Para o retalho e o setor CPG, porém, o verdadeiro valor reside na capacidade de orquestrar toda a cadeia de valor, ligando procura, abastecimento, operações e experiência do cliente num único sistema capaz de responder rapidamente à mudança.

A Cloud e a IA proporcionam maior visibilidade e coordenação ao longo de toda a cadeia de valor, alterando profundamente a dimensão da oportunidade. Não se trata apenas de utilizar a IA para melhorar campanhas promocionais ou automatizar processos específicos, mas também de compreender o que vender, onde vender, como responder à procura e de que forma cada decisão afeta custos, níveis de serviço e capital circulante.

Quando os dados estão integrados, as organizações conseguem ultrapassar a otimização local e concentrar-se na maximização do valor gerado pelo sistema como um todo.

O que fazem de diferente os líderes em Cloud

Um grupo restrito de organizações, em diferentes setores de atividade, já está a assumir uma posição de liderança. Identificadas no estudo como líderes em Cloud, estas organizações estruturam os seus ambientes tecnológicos desde a base para suportar iniciativas de IA.

Ao encararem a Cloud como a camada estratégica de execução da IA, colocam a preparação para a IA no centro da sua estratégia tecnológica. Por essa razão, 75% planeiam aumentar significativamente os investimentos em Cloud, em comparação com apenas 43% das restantes organizações.

Estas organizações distinguem-se por várias práticas:

  • Tratam os dados como um ativo partilhado e não como um recurso isolado por área funcional, investindo em gestão e governança de dados.
  • Deixam de otimizar processos em silos e focam-se na orquestração de toda a cadeia de valor, ligando sinais de procura às decisões de abastecimento, relacionando capacidade operacional com compromissos assumidos perante clientes e assegurando a circulação contínua de insights em toda a organização.
  • Apostam em arquiteturas assentes em plataformas capazes de integrar dados, aplicações e processos de forma coerente.

Mais importante ainda, não consideram a Cloud e a IA como iniciativas independentes. Desenvolvem ambas em conjunto, reconhecendo que nenhuma consegue escalar sem a outra.

A expansão destas capacidades introduz igualmente novas exigências ao nível da segurança e da governação. O estudo demonstra que todas as organizações dos setores do retalho e CPG antecipam um aumento da adoção de Cloud privada e Cloud soberana nos próximos dois anos. Neste período, a utilização de Cloud soberana deverá crescer 61%.

Não existem atalhos para gerar valor

Uma das conclusões mais relevantes do estudo é também uma das mais simples: não existem atalhos. Se a IA continuar a ser tratada como um complemento aos sistemas existentes, sem investimentos estruturais na base Cloud, os benefícios obtidos serão inevitavelmente limitados.

As organizações que pretendem diferenciar-se devem deixar de encarar a Cloud apenas como infraestrutura e a IA apenas como uma funcionalidade adicional. O caminho passa por reconstruir as bases, integrar sistemas e desenvolver capacidades com a IA incorporada desde o início.

A próxima vantagem competitiva não resultará apenas da adoção da IA, mas da capacidade de a integrar eficazmente no negócio e transformá-la numa componente central da operação.


Próximos passos

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